29/10/09
I Miss you
Taís Gomes
Taís Gomes
Taís Gomes
Quem convive muito comigo já deve ter ouvido eu dizer: ‘Caramba, hoje tá com cara de praia’!! Não que eu seja uma louca por praia, aliás já faz mais de um ano que eu não sei o que é isso.
Já riram de mim com essa loucura de ‘cara de praia’ e discordaram também. Mas a verdade é que eu tenho um cheiro em minhas lembranças que ressurge sempre.
Não sei, não lembro detalhes. O que me recordo é de algumas cenas da minha infância em alguma praia.
Esse cheiro de frescor é forte, nítido e me faz sentir bem. Em noites mais frescas sinto esse cheiro especial. Em manhãs de vento fresco essa lembrança aparece. Em céus de tons mais claros sinto vontade de voltar.
Noites mais quentes, ruas mais iluminadas e tranquilas me fazem ter a sensação de que já estive por lá. Já senti esse calor em alguma praia.
Nos fins de tarde quando o sol está se recolhendo confundo a praia das lembranças com a dos meus sonhos. Talvez seja isso, talvez apenas uma mistura de desejos e recordações. Essa mesma praia já esteve em meus sonhos pessoais. Por algum motivo já esteve.
Apenas um vento que surge e vai embora. Um sol que nasce e se esconde. Uma cena que se inicia, mas não chega ao fim. Uma alegria que desaparece junto com o azul do céu. Um frescor que sopra suavemente em meu corpo, apenas isso. Mas se é apenas sonho tudo isso, porque sinto tanta saudade ???

TaÃs Gomes
Ontem foi um dia especial. Um dia que não faço questão de esquecer. Foi a despedida de um casal de amigos que estão partindo para Irlanda. Conseguimos reunir ‘as amigas’… Aquelas de longa data. E que longa hein?? Senti falta de algumas que também fizeram parte de toda a nossa história, mas mesmo não estando presentes, foram muito bem lembradas.
A Thalita tem razão. Uma das dores mais difÃceis a ser superadas é a saudade. E como é!!! Ontem percebi que todas nós estamos ligadas ainda de alguma maneira, por esse sentimento forte de saudade. Saudade desse tempo que não volta mais.
Como todo grupo de mulher falante, falamos sobre tudo e também tentamos fugir de tudo o que nos trazia algum sentimento ruim. Mas não resistimos às histórias que completavam a lembrança de outra.
Histórias incompletas. Cenas inacabadas. Rostos desfeitos pelo tempo. Algum esforço para tentar lembrar nomes e aventuras. Uma volta ao tempo. Uma procura por respostas. Uma janela para os desabafos. Uma porta para a saudade novamente.
Os mesmos costumes, gÃrias, hábitos, roupas, escolhas, sonhos, pensamentos e desejos. IncrÃvel como todas eram iguais. Aposto que nunca nos demos conta disso.
Poucos dias atrás recebi um e-mail falando sobre falta de tempo. Contava a história de um rapaz que se preparava para ir trabalhar quando foi surpreendido pelo aviso da morte de um amigo. Ele já estava doente algum tempo. Mas nunca quis incomodar. Arrasado, o rapaz avisou que não iria trabalhar, teria que separar o seu tempo para ir ao enterro do grande amigo.
O tempo todo ele se cobrou. Por que agora tinha tempo para estar ao lado do amigo? Por que nunca respondeu seus e-mails de carinho? Por que nunca, depois da faculdade, separou um final de semana para visitá-lo? Nunca respondeu seus recados na caixa postal perguntando como ele estava. Quem será que precisava mais? Seria uma oportunidade para um possÃvel desabafo?
O e-mail era uma verdadeira lição de vida. Dizem que aprendemos com os erros dos outros. É verdade. Eu aprendi e tenho aprendido todos os dias. Agora presto mais atenção em quem cruza meu caminho. Pode ser a última vez. Última mesmo.
Mas ontem foi diferente! O peso da falta de tempo saiu da minha consciência e acredito dá de muita gente.
Fui embora feliz, apesar do coração apertado imaginando como seria a minha vida sem as palavras daquela amiga que me entendia num olhar. Cada pessoa tem sua marca e por mais que tenhamos muitas outras ao nosso lado. Cada uma faz falta em um sentido.
Mesmo assim, tive a certeza que fiz a coisa certa. Não perdi a chance de dizer aos meus amigos o quanto os AMO e JAMAIS me esquecerei de todas as histórias que vivemos juntos!