13/11/09
Quem era?
Taís Gomes
Duas semanas atrás recebi uma história postada no blog do Geraldo Luiz (http://blogs.r7.com/geraldo-luis/2009/11/04/afinal-quem-era-aquele-homem-meu-deus/). Ele contava sua experiência com um senhor que o ‘entrevistou’ enquanto ele ‘caçava’ uma matéria para o seu programa de rádio. De repente, ele se viu ‘bebendo’ de uma fonte que, humanamente, não poderia jorrar água limpa. Naquele dia, ele aprendeu mais do que ensinou. Na verdade, sentiu-se um menino intimidado pela inteligência daquele velho mendigo.
Lendo a história dele, pude lembrar de mim mesma. Voltei há mais ou menos 6 anos. O dia e o mês eu me lembro bem, afinal era o meu aniversário. E o meu presente veio embrulhado nas palavras singelas de uma desconhecida. Tão desconhecida que nunca vou me esquecer.
Eu havia chegado muito antes do meu horário normal de ir à igreja. Avistei uma senhora sentada na ponta das primeiras fileiras. Resolvi me sentar ao seu lado. Dona Beta, o apelido me veio agora na lembrança. Eu estava curiosa para saber se poderia ajudá-la em alguma coisa, de repente, ouvir os desabafos de uma mãe que tem um filho problemático ou talvez pudesse contar as mágoas de um marido não amoroso. Que tola eu sou. Não me recordo de ter ouvido uma única palavra negativa. Não que tenha passado despercebido, não, muito pelo contrário, ainda hoje consigo reproduzir as mesmas palavras que ouvi naquela tarde. Um sentimento de saudade me devolve àquele dia.
Nas primeiras palavras percebi o quão eu estava enganada. Deus está em todo lugar, mas de repente, vi Deus no perfume daquela senhora, no olhar cansado, nas frases pausadas, no semblante risonho e nas mãos que vez e outra tocavam as minhas.
Sinceramente, era como se eu nunca tivesse ouvido falar em Deus. Senti como se ouvisse de seu amor pela primeira vez. Ela não precisava falar nada, o jeito dela tinha propriedades para isso.
E foi assim, com o seu jeito amável me contando dos seus longos 20 anos que seguia com Cristo. Falou-me que o seu amor continuava o mesmo desde o primeiro dia. O que oferecia para Ele era exatamente o melhor que tinha; um coração puro e limpo.
Eu me lembro que não olhei para o relógio uma só vez. Eu não me importava com o tempo. Queria ouvi-la, queria estar perto dela, queria ouvir Deus por ela mesma.
Eu não tinha me surpreendido o bastante até percebê-la fixar os olhos em mim, as lágrimas dos meus olhos ameaçavam cair, a sensação era muito boa. Ela leu a minha alma e disse; ‘Talvez você esteja triste por causa de um amor que foi embora, não era pra ele ter ficado, não era o momento. Você precisa aprender muito com Deus ainda. Precisa ter muito do amor Dele para amar alguém. Ele quer te ensinar tantas coisas. Ele sabe a sua hora. Ele sacia os galhos com os orvalhos todas as manhãs, Ele vai fazer com você. Espere, tenha calma. Confie inteiramente, Ele nunca vai falhar com você, porque Ele te ama’.
As lágrimas rolaram e eu não pude contê-las. Não importava se eu estava ali para ouvir ou ensinar. Não. Quem era eu? Qual era o meu amor diante de Deus? Me senti tão só e ao mesmo tempo tão amada. Porquê tive o privilégio de conhecer aquela senhora? Quem era ela que eu nunca tinha reparado? Mas eu tinha certeza que nunca mais a encontraria. Não sei, mas enquanto ouvia falava comigo mesma que aquele encontro era único.
Um filme passava em minha mente ilustrando suas palavras. A minha ferida estava aberta, eu achei que estava cicatrizada, mas não estava. Ela percebeu que eu estava muito emocionada e continuou sorrindo, segurando minhas mãos, como se tivesse cumprindo a sua missão. Não parava de desembrulhar o presente precioso que eu estava ganhando ali. Eu sabia disso desde o primeiro minuto e somente quando fui embora notei que já havia se passado três horas de conversa.
Me tornei melhor depois daquele dia. Não consigo lembrar de outras palavras que eu tenha dito, além de ‘muito obrigada pelo presente especial de aniversário’. Por meses procurei o lugar que ela estava sentada, mas eu sabia que seria em vão, não a encontraria mais. Obviamente, não tenho respostas para isso. Mas eu consegui entender o sinal que Deus me enviara e isso bastava o silêncio de sua identidade.

criado por taisgomds
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