30/4/08
Carona Miserável…
Cacos de vidro espalhados, sangue respingado na mão, susto, muito susto. Gritos ecoavam forte como se algo incomum estivesse acontecendo e estava. O cobrador do ônibus fazia de tudo para não demonstrar raiva ou talvez medo. No banco reservado, um bebê começou a chorar, pois pedaços de vidro da janela, que acabara de ser destruída, espirrava nele. Não houve ferimentos, foi só o susto mesmo. Motivo para tamanha marginalidade: ‘o motorista recusou-se a dar carona a um grupo de rapazes entre 13 a 16 anos’. O pior foi a naturalidade com que quebraram a janela do ônibus ao lado do cobrador em plena luz do dia e porquê não dizer no horário escolar do meio dia? Não houve quem denunciasse e eles continuaram naquele ponto de ônibus cheio de gente aguardando um próximo, na certa, planejavam agir da mesma maneira caso algum motorista fizesse o mesmo. Absurdo é pouco, a vontade que eu tinha era de levantar e esculachar, mas, infelizmente, o medo me impediu e também quem era eu pra descer e esculachá-los? Se o cobrador que quase se machucou não teve nenhuma atitude, eu que estava do outro lado do ônibus teria ‘né’? Até parece. Na realidade, o cobrador tinha razão por nada ter feito, ‘nada assim’; não ter xingado. Neste caso, uma denúncia seria o mais eficaz. O que esses inconseqüentes não pensaram é que a mãe de algum deles poderia muito bem estar dentro do ônibus, na certa, é pobre como eles que pediram carona e também utilizam o transporte público. Público? Patrimônio deles próprio. Desejo a eles que num dia de chuva como ontem, peguem este mesmo ônibus e sente-se bem próximo a janela para se aborrecerem, tal qual aborreceu-nos ontem… Miseráveis!
criado por taisgomds
14:18 — Arquivado em: 




Observando as mulheres “antigas” de nossa sociedade, constatei o quão podem ser consideradas guerreiras ou como diziam antigamente “amazonas”. Tentei restituir em meus pensamentos passos de cada uma. Logo me veio o silêncio da mãe diante da rígida criação baseada em submissão total. O namoro vigiado, o corpo preservado, roupas em perfeita decência. 

