Lá se foi o prÃncipe …
1 de maio de 2012
Por Taís Gomes
Um dia ele perguntou a ela o que faria se tivesse um controle que voltasse e mudasse o passado. Ela, prontamente, lhe respondeu que seria outra mulher, não se prenderia a nada e seria mais decidida e corajosa. É claro que ele não queria ouvir nada disso. E ela sabia muito bem. Mas na época, o que ela tinha exatamente na cabeça, senão um conto de fadas? Imaginava o “felizes para sempre” como tinha de ser.
No conto de fadas dela, o “príncipe” viria em um cavalo branco, não passariam por nenhuma fase de adaptação, a amaria por todos os dias e a relação resistiria a qualquer TPM. Jamais existiria o ciúme, a crise, a pressão do tempo e qualquer outra insegurança que surgisse. Só existiriam os dois no mundo. Os sonhos seriam iguais e eles nunca teriam qualquer diferença entre eles. Pronto. Já estava traçado e perfeito!
O tempo passou e tudo que ela conseguiu perceber é que o “príncipe” (que ela não o via como príncipe) queria saber mesmo se ela queria ser amada como uma princesa! Porque essa era a proposta dele. E óbvio que ela ficou limitada ao cavalo branco, que sequer percebeu que o príncipe tinha vindo a pé. Ou melhor, estava o tempo todo ao lado dela.
O príncipe não prometia morar em um castelo. Mas garantia leva-la ao lugar mais alto que existisse só pra admirá-la melhor. O príncipe também não daria a ela as roupas da realeza, mas seria capaz de acha-la DESLUMBRANTE com qualquer roupa que vestisse. Porque ela estaria tão segura em seus braços que o interior dela refletiria do lado de fora. E como ele poderia acha-la feia? Impossível! Ela o tinha conquistado justamente por não existir máscara, não precisava de um tempo para conhecê-la. Já sabia quando estava brava, aflita, emocionada, carente ou com qualquer outra reação. Ela não precisava fingir ao lado dele. Não precisava ter voz fina e doce para impressioná-lo. Nem precisava usar salto, joias e um quilo de maquiagem. Não! Ela era bela por ser ela mesma. E ele sabia muito bem disso.
Ela não enxergou nenhum sinal do príncipe. E insistia correr atrás do “sapo”. Foram anos assim.
Ele já tinha avisado, mas ela não acreditava. Então, outros príncipes surgiram (na verdade, sapos). Todos eles a fizeram chorar. Nenhum deles foi capaz de ouvi-la, acolhê-la e muito menos, ser a melhor companhia a ela. E o pior, sempre ela tinha que usar todas as parafernálias para “virar uma princesa”.
O primeiro príncipe também conheceu outras “princesas” (“sapas”, na verdade). Mas nenhuma delas conseguiu conquista-lo inteiramente. Todas usavam máscara e quando achava que já tinha conhecido suficiente, outras surpresas vinham.
Então, depois de todos os sapos, a primeira princesa entendeu o que o príncipe (ela já o enxergava corretamente) queria ouvir quando perguntou sobre o tal controle. Se pudesse voltar ao passado, ela teria prestado mais atenção nele. Teria entendido a linguagem dele e com certeza, teria sido a única princesa para ele. Afinal, ele era diferente de tudo que ela já tinha visto. E só o tempo conseguiu tirar as vendas dos olhos dela. Ninguém a compreendia tão bem e vice versa. Ambos sabiam sobre a realidade dos “sapos e sapas” que os cercavam e se divertiam com isso. Quem seria amigo assim a ponto de compartilhar tudo?
Quando a princesa reconheceu o grande erro, tentou se desculpar com o príncipe, mas ele não conseguiu acreditar nela. E como o conto de fadas é bem diferente da realidade. O príncipe… Bem, o príncipe volta e meia pensa na princesa ainda. Mas nega. Assim, igualmente ela. E por estar tão cansado das “fábulas da princesa” (talvez com razão), resolveu então, não ver se teriam o “felizes para sempre”…




















